A agricultura orgânica usa receitas caseiras para combater as pragas, com componentes naturais como algumas ervas e óleos. O custo desses preparados de grande eficiência prática chega a ser 95% menor do que um produto químico, uma economia considerável para o produtor. Nos canaviais, por exemplo, pragas e ervas daninhas são combatidas com técnicas alternativas, como plantio de leguminosas nas entrelinhas da cana. Para eliminação de alguns insetos prejudiciais à plantação são utilizados predadores naturais.
A busca por maior qualidade de vida associada à preocupação crescente com as questões ecológicas tem motivado um número cada vez maior de produtores e consumidores a aderirem aos orgânicos como uma alternativa segura. Os recentes problemas de contaminação de rebanhos europeus (doença da vaca louca) serviram para demonstrar a importância dos processos criteriosos da produção orgânica, já que uma das prováveis causas da doença é a utilização de ração animal contaminada.
Na agricultura, principalmente, os benefícios do cultivo orgânico aumentam a qualidade de vida do trabalhador do campo. São inúmeros os relatos de agricultores que sentiram melhora significativa na saúde quando trocaram a técnica convencional pela natural. Muitos comentam que nunca mais tiveram as dores de cabeça e tonturas que eram constantes quando usavam agrotóxicos.
Deste modo, para se obter um alimento verdadeiramente orgânico, é necessário administrar conhecimentos de diversas ciências (agronomia, ecologia, sociologia, economia, entre outras) para que o agricultor, através de um trabalho harmonizado com a natureza, possa ofertar ao consumidor alimentos que promovam não apenas a saúde deste último, mas também do planeta como um todo.
Foi publicado no Journal of Applied Nutrition (1993) pesquisa realizada durante 2 anos em Chicago, Estados Unidos, onde ficou comprovada a grande diferença entre o alimento orgânico e o alimento produzido de forma convencional. Foram analisadas várias amostras de maçã, batata, pêra, trigo e milho doce, e comprovou-se que os alimentos orgânicos possuem uma diferença acentuada no conteúdo de alguns minerais essenciais.
Veja a tabela:
Mineral e a porcentagem de Superioridade dos alimentos orgânicos
Cálcio 65 %
Ferro 73 %
Magnésio 118 %
Molibdênio 178 %
Fósforo 91 %
Potássio 125 %
Zinco 60 %
Mercúrio -29 %
Obs: foram realizados de 4 a 15 amostras para cada grupo de alimento.
Segundo análise na apresentação do Engenheiro Agrônomo Jorge Vailati do Instituto Biodinâmico, esta é a maior prova que mesmo utilizando adubos inorgânicos não se garante um maior nível de nutriente aos produtos da agricultura convencional.
Este fato mostra a superioridade de um sistema orgânico mais eficiente. A liberdade de crescimento e amadurecimento da planta garante a nutrição de forma natural de acordo com as leis da natureza do reino vegetal.
FONTE: Coisas de Fazenda – Alimentos Orgânicos
Retirado dia 13/01/2005 do site: http: // www.planetaorganico.com.br //
Por certo, na determinação do valor nutricional (VN), o enfoque analítico de nutrientes mais relevantes presentes nos alimentos, é importante. Contudo, temos que considerar outras substâncias, como fitoquímicos, antibióticos e os micronutrientes, ou seja, é preciso ter em conta a integralidade dos alimentos.
A biodisponibilidade dos nutrientes é de grande importância assim como os efeitos sinérgicos e antagonistas das substâncias presentes. O enfoque global de avaliação procura estimar a qualidade biológica do alimento, frente aos efeitos produzidos sobre a saúde do organismo humano (fertilidade, resistência às doenças, longevidade, etc.).
Na área do valor nutricional podem ser citadas pesquisas como as realizadas pela Universidade de São Paulo (USP), evidenciando que a quantidade de retinol em ovos caipiras é três vezes maior do que nos de granja (6,19 mcg nos primeiros contra 2,12 mcg nos últimos).
Estudos feitos por Schapf e Aubert, em 1976, citados por Bonilla (1992), mostram como a adubação química nitrogenada, usada na agricultura convencional, altera negativamente o valor nutricional dos alimentos vegetais. Assim temos:
1. No espinafre constatou-se diminuição de potássio (de 0,8% para 0,5%) e de fósforo. Por outro lado, houve aumento significativo de sódio e de nitratos. Apurou-se também que o produto, normalmente com teor de matéria seca da ordem de 6,8% quando recebeu adubação nitrogenada sintética de 120 kg/há, teve a proporção reduzida para somente 5,5%;
2. Cenouras mostraram redução de 8,5 para 7,5 mg de vitamina C por 100g de matéria seca, quando receberam adubação nitrogenada na base de 280 kg/há. No espinafre a redução foi de 40 para 25 mg e em maçãs, de 6 para 3,5 mg;
3. Em batatas verificou-se que se obtém o máximo de aminoácidos essenciais com menos de 60 kg/há de nitrogênio. A partir de 70 a 80 kg ocorre queda muito rápida do teor desses aminoácidos. Observaram-se resultados similares para o milho (redução de lisina, metionina, teonina e triptofano) e o sorgo;
4. Outro estudo com cenouras evidenciou que, no momento da colheita, o teor de açucares, da ordem de 7% com doses baixas de nitrogênio, cai para menos de 6%, por efeito de aplicações superiores a 200kg/há. Em espinafre, a redução é de 0,9% para 0,3%. Em batatas, teor de amido (em relação à matéria seca) cai em média de 65% para 60%;
Outro artigo recente (de agosto último) reporta-se a um documento britânico Organic Farming, Food Quality and Human Health, divulgado pela Soil Association, que pede mais pesquisas, mas atesta que consumidores interessados em aumentar a ingestão de vitamina C, fitonutrientes (ou fitoquímicos) e minerais, e automaticamente reduzir a de pesticidas e aditivos alimentares, deveriam optar por alimentos orgânicos. Os fitoquímicos, por exemplo, protegem as plantas contra doenças e pragas e atuam no tratamento de alguns tipos de câncer.
Segundo observa a nutricionista britânica Shane Heaton, que analizou o documento, o nível de minerais em plantas e verduras diminuiu de forma alarmante na última metade do século. Ela sugere que os métodos de cultivo fazem uma diferença significativa no teor de vitaminas, minerais e outros nutrientes. Apesar da dieta ocidental ser mais variada do que nunca as deficiências de nutrientes são comuns e, como conseqüência, a saúde humana está em declínio. Por isso a indústria química farmacêutica em geral e principalmente a de suplementos minerais se fortalece cada vez mais.